01/09/2008

TERRY GILLIAM

Natural de Minnesota, na década de 60, Terrence Vance Gilliam mudou-se para a Califórnia onde estudou Belas Artes, trabalhou em agências de publicidade e em revistas.

Único membro americano do grupo (composto por Gilliam, Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin), Gilliam era mais conhecido como diretor de arte, criador das animações surrealistas da abertura do programa e das vinhetas que ligavam os sketches. Foi o grande responsável pela formação da peculiar identidade visual do grupo na TV e em outras mídias - capas de discos, livros e sequências de abertura dos filmes.

Em 1971, o grupo chegou ao cinema com E Agora, Algo Completamente Diferente (And Now for Something Completely Different). Logo após, realizou mais um curta-metragem de animação: The Miracle Of Flight (1974). O segundo filme do grupo, Monty Python e o Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975), marcou o início da carreira de Gilliam como cineasta, co-dirigindo o filme junto a Terry Jones, diretor dos outros dois filmes: A Vida de Brian (Monty Python's Life of Brian, 1979) e O Sentido da Vida (Monty Python's The Meaning of Life, 1983).


Para O Sentido da Vida, Gilliam criou e dirigiu a sequência que abre o filme como uma peça independente.The Crimson Permanent Assurance foi originalmente idealizado como uma animação para o fim da Parte V, mas Gilliam convenceu os companheiros a realizar a sequência em película e inserí-la como prólogo do filme.

Gilliam não ficou satisfeito com o trabalho, considerando-o fraco no contexto geral do filme. Assim, a sequência é formalmente anunciada como "Our Short Feature Presentation", algo como um pré-filme exibido antes do "Main Feature" - a atração principal.

Após o fim do Monty Python, Gilliam passou a investir em seus próprios projetos, muitos deles com a colaboração de ex-parceiros do Python, como Michael Palin e Eric Idle.


Inspirado no poema absurdo de Lewis Carroll, Jabberwocky - Herói por Acidente (Jabberwocky, 1977), foi o primeiro filme dirigido integralmente por Terry Gilliam, mesmo considerado por muitos como um filme do Monty Python (lançado inicialmente como Monty Python's Jabberwocky).

Foi rodado logo após Monty Python e o Cálice Sagrado, e como também se passa na Idade Média, utilizou os mesmos cenários e figurinos. Além disso, contou com a participação dos "Pythons", Terry Jones e Michael Palin como Dennis, um camponês aloprado que precisa enfrentar o terrível dragão que aterroriza uma cidade.



Bandidos do Tempo ultrapassou o sucesso comercial estimado por Gilliam, rendendo-lhe a merecida credibilidade artística que consolidou seu nome como cineasta.

O sonho aproxima-se da realidade quando Sam conhece Jill Layton (Kim Greist), mas transforma-se num pesadelo quando ambos se envolvem numa perigosa trama política causada por uma confusão burocrática.Também no elenco, Ian Holm e Michael Palin (colaboradores de Gilliam). Bob Hoskins participa como um neurótico técnico de refrigeração burocrático que tem como rival, o rebelde Harry Tuttle (Robert De Niro).


aNo entanto...
Embora aclamado pela crítica e indicado ao Oscar de roteiro original (Terry Gilliam, Tom Stoppard e Charles McKeown), Brazil foi considerado confuso pelo público e fracassou nas bilheterias, retornando apenas US$ 9 milhões de seu mega-orçamento (na época) de US$ 15 milhões.

Passado no fim do século XVIII - denominado no filme como "A Era da Razão" - vemos uma produção teatral mambembe encantando a platéia ao narrar as aventuras do Barão Munchausen com belos efeitos cênicos artesanais enquanto o exército turco realiza um ataque à cidade.

De repente, surge o real Barão Munchausen (John Neville) que, indignado com os exageros narrados na peça, assume o espetáculo com sua "verídica" versão da história exaltando o público contra a política do governo.


Novamente, a direção de arte impressiona. O tratamento visual das composições barrocas é deslumbrante.No elenco, destacam-se Robin Williams como o "lunático" Rei da Lua; Oliver Reed numa versão "proletária" do deus Vulcano; Uma Thurman como a belíssima deusa Vênus, além dos antigos colaboradores, Eric Idle e Jonathan Pryce.

Após a turbulência de Barão Munchausen, Gilliam procurou uma produção mais simples, de baixo orçamento, escrito por outro roteirista e que não envolvesse a participação de membros do Monty Python.

Sua escolha foi O Pescador de Ilusões (The Fisher King, 1991), uma delirante comédia dramática passada na Nova York "yuppie" do final dos anos 80.

Nesta história de redenção, Jack Lucas (Jeff Bridges), um cínico e arrogante radialista, comanda um talk-show onde critica agressivamente um de seus ouvintes, causando inadvertidamente uma tragédia que o leva à decadência.
À beira do suicídio, ele é salvo por Parry (Robin Williams), um indigênte esquizofrênico. Juntos, embarcam numa louca cruzada que termina ajudando-os a se re-erguer.



Dessa vez, o diretor contou com astros consagrados como Bruce Willis e Brad Pitt. A participação dos astros chamou a atenção da Universal, que produziu o filme a pesar do notório desentendimento com Guilliam em Brazil.

Ambos fazem referência a Um Corpo Que Cai (Vertigo, 1958), de Hitchcock. O filme aparece numa cena dentro de um cinema e retorna através da música de Bernard Herrman e do disfarce de Kathryn (Madeleine Stowe), loura como a Kim Novak de Vertigo.

Os Doze Macacos foi mais um sucesso de Gilliam, faturando mais de US$ 168 milhões e recebendo diversos prêmios. Entre outros, Brad Pitt venceu o Globo de Ouro como melhor ator co-adjuvante.
Desde sua publicação, houveram várias tentativas de uma adaptação para o cinema. Nomes como Jack Nicholson, Marlon Brando, Ralph Bakshi, Martin Scorsese e Oliver Stone, estiveram envolvidos no projeto em alguma época.

Por fim, Terry Gilliam conseguiu a aprovação do autor e encerrou a trilogia americana com Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas, 1998), estrelado por Johnny Depp como Raoul Duke e Benicio del Toro como Dr. Gonzo.


Conceitual demais e de difícil digestão, Medo e Delírio é uma viagem longa e muito louca, que só interessou aos fãs de Thompson e ao público daquela geração. Comercialmente, foi um grande fracasso, gerando um prejuízo de US$ 8 milhões à sua produtora, a Rhino Films. Ao longo dos anos, ganhou força como um cult-classic em DVD.

Na primeira semana de filmagens, o diretor perdeu seu ator protagonista e metade dos cenários numa inundação.
O filme foi cancelado, resultando num processo judicial de US$ 15 milhões junto à empresa seguradora.

Mesmo cancelado, o projeto gerou o documentário, Lost in La Mancha, feito a partir do material captado pela segunda unidade, que rodava o "making of" do filme.

Mais tarde, Gilliam e Johnny Depp tentaram ressucitar o projeto, mas a seguradora negou os direitos do roteiro. Depois de dez anos de luta, o filme encontra-se em pré-produção e evntualmente, será lançado.

Depois de amargar mais um conturbado fracasso, Gilliam atravessou uma fase difícil, com vários projetos cancelados. Além disso, foi rejeitado pela Warner Brothers para dirigir o primeiro filme da série Harry Potter - dirigido por Chris Columbus, mais conhecido pela comédia Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990) - mesmo tendo sido convidado pela própria autora, J.K. Rowling, fã declarada do diretor.


Neste período, Gilliam dirigiu uma série de comerciais para a campanha da Nike na Copa do Mundo de 2002.

Secret Tournament mostrava um campeonato secreto, realizado num obscuro navio cargueiro onde estrelas do futebol da época (incluindo os brasileiros Ronaldo, Roberto Carlos e Ronaldinho) disputavam "peladas" ao som de um remix de A Little Less Conversation, de Elvis Presley.

Depois de três anos, Gilliam retorna com mais um épico de fantasia. Lançado através da Miramax, Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm, 2005) é uma aventura com os lendários irmãos contadores de histórias, Will e Jake Grimm (Matt Damon e Heath Ledger), que viajam pela Alemanha napoleônica aplicando golpes fantásticos, enfrentando monstros e demônios em troca de dinheiro fácil.
A estimativa original era de 500 tomadas com efeitos especiais, mas na realidade, 800 tomadas foram finalizadas. O atraso na pós-produção foi tão grande que Gilliam teve tempo de filmar seu projeto seguinte, Tideland.


Independente, com baixo orçamento e nenhuma interferência do estúdio, Tideland (2005) é um pequeno projeto de Gilliam rodado no Canadá durante um intervalo nas filmagens de Os Irmãos Grimm.

A história gira em torno de Jeliza Rose (Jodelle Ferland), uma menina solitária mas com imaginação fértil. Após perder a mãe numa overdose de drogas, Jeliza muda-se para uma remota fazenda no interior do Texas com seu pai (Jeff Bridges), onde ela se refugia em fantasias bizarras compartilhadas com a cabeça de uma boneca Barbie.

Tideland estreou no Festival de Toronto de 2005, sendo totalmente ignorado pelo público e pela crítica. O resultado pouco interessou os distribuidores americanos, mas eventualmente, o filme conseguiu um pequeno lançamento nos cinemas, e posteriormente, em DVD.



O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus, 2009) é uma produção independente escrita por Gilliam e Charles McKeown - roteirista que colaborou com Gilliam em Barão Munchausen (1988).

Dessa vez, o cineasta conseguiu equilibrar sua veia artística com as limitações do orçamento de US$ 30 milhões. O filme apresenta a qualidade do padrão visual de Gilliam, mas sem as confusões ocorridas em seus épicos anteriores.

Infelizmente, a produção foi interrompida por causa da morte prematura de Heath Ledger em 2008. Determinado a salvar o filme, Gilliam considerou o uso de computação gráfica para alterar a aparência do personagem, mas devido ao orçamento limitado, esta idéia tornou-se inviável. A solução foi escalar atores para interpretar Tony em cada universo. Assim, Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law juntaram-se ao projeto, possibilitando sua conclusão.

Lançado no Festival de Cannes de 2009, O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus foi muito bem recebido pela crítica, que considerou o trabalho como o melhor e mais divertido filme de Gilliam nos últimos anos. Por sua vez, o diretor dedicou o filme a Ledger como "um hino à vida e ao imaginário que podem vencer os lados obscuros da fantasia."